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Cineastas cubanos visitam acampamento do MST em Goiás

31/10/2017

Foi gravado um documentário sobre a luta pela terra e a rotina dos acampados

Escrito por: Cláudia Nunes, coordenadora do Manifesto - Mostra de Cinema Político e membro da coordenação executiva do Comitê Goiano de Direitos Humanos Dom Tomás Balduino

 
Os cineastas cubanos e diretores da TV Serrana, emissora comunitária e camponesa de Sierra Maestra, Pablo Garcia e Luis Guevara, visitaram o Acampamento Leonir Orback, do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), em Santa Helena de Goiás – município a 208 quilômetros de Goiânia -, nos dias 23 e 24 de outubro, acompanhados pela coordenadora do Manifesto - Mostra de Cinema Político e membro da Coordenação Executiva do Comitê Goiano de Direitos Humanos Dom Tomás Balduino, cineasta Claudia Nunes. 
 
Eles vieram a Goiânia para participar do Manifesto, promovido pela Balaio Produções e Vietnam Filmes, com apoio do Fundo de Arte e Cultura de Goiás, que exibiu filmes da TV Serrana; do legendário cinecronista da Revolução Cubana, Santiago Alvarez; documentários da Escola Internacional de Cine e TV de Cuba; e filmes goianos raros.
 
Além de gravar um documentário sobre a luta pela terra, a rotina dos acampados e mensagens para os camponeses de Sierra Maestra, a mítica cadeia de montanhas que abrigou Fidel Castro, Che Guevara e o Exército Rebelde, Garcia e Guevara participaram de uma roda de conversa na Escola de Alfabetização Renascer, localizada dentro do acampamento Leonir Orback, que reuniu pessoas de todas as idades. 
 
Reforma Agrária
Mirielton Reis Paixão, um dos coordenadores do MST no acampamento, agradeceu a oportunidade de conhecer a história cubana. “É dessa forma que podemos compreender melhor os motivos pelos quais a luta avança em alguns lugares e não avança em outros. Ficamos felizes em saber que o povo cubano conseguiu vencer e realizar a reforma agrária. Nosso sonho também é esse e não vamos desistir. Cuba nos traz esperança, agradecemos os companheiros desse país por sua luta", disse. 
 
"A luta e a resistência de vocês nos emociona muito. Em Cuba, os documentários que fazemos, com a participação dos camponeses das montanhas, têm ajudado a encontrar soluções para muitas dificuldades que eles enfrentam por causa do bloqueio econômico dos EUA. Desejamos que esse filme que fizemos aqui possa ajudar a dar visibilidade para a sua luta pela reforma agrária no Brasil e quem sabe, contribuir de alguma forma para essa conquista tão necessária, justa e urgente", disseram Garcia e Guevara.
 
Após exibir o documentário produzido no acampamento para os camponeses das montanhas e na Televisão Nacional de Cuba, os diretores da TV Serrana gravarão uma vídeo carta com mensagens dos camponeses cubanos para os sem terra goianos, estabelecendo assim uma comunicação solidária entre eles. 
 
Saiba Mais
O Acampamento Leonir Orback tornou-se um símbolo da luta contra a criminalização dos movimentos sociais por manter uma mobilização permanente em defesa dos presos da reforma agrária, Valdir Misnerovicz e Luiz Batista Borges (em liberdade provisória), e Natalino de Jesus e Diessyka Santana (exilados), cujas prisões foram decretadas em função do conflito com a Usina Santa Helena, integrante do Grupo Naoum, devedor de R$ 1,1 bilhão em dívidas trabalhistas e à União. As terras da usina são reivindicadas pelo Movimento para desapropriação e destinação para fins de reforma agrária. Em ação judicial, a própria União pede que a propriedade de parte das terras seja transferida ao Estado brasileiro por conta das dívidas.
  
Pela primeira vez na história, o MST foi enquadrado na Lei nº 12.850/2013, que tipifica as organizações criminosas. Por ser um caso em que a luta pela Reforma Agrária recebeu tipificação penal nova, há uma grande mobilização e esforço para a construção de teses jurídicas que possam afastar esse entendimento, evitando que Goiás seja utilizado como um laboratório para novos mecanismos de repressão à luta por direitos. 
 
Em tempo: Leonir Orback, que dá nome ao acampamento, é mais um mártir da Reforma Agrária. Foi assassinado na  tarde de 7 de abril de 2016 por agentes da Polícia Militar (PM) em Quedas do Iguaçu, no centro-sul do Paraná. Tinha 25 anos, deixou dois filhos e a esposa grávida de nove meses.
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