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Psicóloga aponta retrocessos na luta antimanicomial

10/01/2018

Heloísa Massanaro aponta que uma sociedade ideal não deveria precisar de creches, asilos ou manicômios

Escrito por: Maisa Lima, assessora de Comunicação da CUT Goiás

Crédito: Cláudio Marques (Sintfesp-GO/TO)
 
 
A psicóloga e diretora do Sindicato dos Trabalhadores Federais em Saúde e Previdência nos Estados de Goiás e Tocantins (Sintfesp-GO/TO) - filiado à Central Única dos Trabalhadores (CUT) - Heloísa Massanaro foi a entrevistada da manhã desta quarta-feira (10) no programa Antena Ligada, da Rádio Trabalhador (RT) - www.radiotrabalhador.com.br -, que acontece de segunda à sexta-feira, das 10 às 11 horas, sob o comando do jornalista Roberto Nunes.
 
Heloísa, que também participa do Coletivo Desencuca (composto por usuários dos serviços de saúde, familiares, profissionais, artistas, militantes da saúde mental, pessoas em situacão de rua e comunidade em geral), do Fórum Goiano de Saúde Mental e da Rede Nacional Internúcleos da Luta Antomanicomial (Renila) se mostrou preocupada com o retrocesso que vem se insinuando na luta antimanicomial, em Goiás e no Brasil.
 
Por um lado temos o modelo iniciado em 2001, com a Lei 10.216, fruto da mobilização de trabalhadores, usuários e familiares, quando passou-se a construir um cuidado responsável, humanizado, livre, com uma rede de serviços diversa, tendo como princípios a dignidade, a singularidade e a vida. Na outra ponta temos a internação, com violações aos direitos humanos, torturas, privação de liberdade, mortes. Era assim quando os hospitais psiquiátricos eram a única opção para pessoas em sofrimento psíquico.
 
Credeq
O Centro Estadual de Referência e Excelência em Dependência Química (Credeq), em Aparecida de Goiânia, segue a lógica da internação. "É uma gaiola de ouro", lamenta Heloísa. Mas ela reconhece que trata-se de uma discussão delicada. "Ainda não conseguimos ganhar as pessoas para a diversidade. Não é excluindo o usuário de drogas do convívio social que vamos solucionar o problema. Precisamos construir recursos que realmente o enfrentem, ao invés de escondê-lo", pontua. 
 
A piscóloga comenta que a Comissão Intergestores Tripartite (CIT) aprovou mudanças na política de saúde mental que rompem com a lógica de desestruturação de manicômios. Enquanto a proposta da reforma psiquiátrica antimanicomial é de progressiva extinção dos leitos, o Ministério da Saúde deixa brechas para que estes sejam mantidos. 
 
As medidas também incluiram as comunidades terapêuticas como integrantes da Rede de Atenção Psicossocial. Para o Conselho Federal de Psicologia (CFP), as comunidades terapêuticas não podem ser consideradas estabelecimentos de saúde e aponta que esses locais têm registrado situações de violações de direitos humanos que se assemelham às que eram vistas em manicômios.
 
Sociedade
Heloísa argumenta que uma sociedade ideal não precisaria de creches, asilos ou manicômios. Estaria organizada para cuidar do outro. "Viver com qualidade de vida implica em convivência com seus semelhantes. Pra isso acontecer seria importante mudar o sistema de trabalho. Se as jornadas fossem de seis horas diárias seria mais fácil as pessoas se organizarem para cuidar dos familiares que precisam de mais atenção".
 
A psicóloga aproveita para convidar toda a comunidade para participar das reuniões do Coletivo Desencuca, que acontecem toda quarta-feira, na Praça Universitária, em Goiânia, às 14 horas (próximo à biblioteca). Nesse momento é possível participar desde um bloco de percussão até fazer teatro de rua ou assistir a uma sessão de cinema. Todos e todas são bem vindos(as).
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