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A cara da recessão

Escrito po: Leila Brito

26/01/2017

Economista, coordenadora técnica do Dieese em Goiás

A recessão escancarou o seu lado mais perverso e nefasto: o desemprego mais amplo, geral, irrestrito e intenso. Segundo os últimos dados da PNAD – Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, realizada pelo IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, referente ao trimestre de setembro a novembro de 2016, há um contingente de 12,1 milhões de desempregados, o maior da série histórica desde o início da pesquisa em 2012.
 
Ainda que apresente estabilidade em relação ao trimestre anterior, o número de pessoas a procura de trabalho nesse trimestre cresceu 33,1% em relação ao mesmo trimestre de 2015, o que correspondeu a um acréscimo de 3 milhões de pessoas desocupadas. Essa variável é ascendente desde o último trimestre de 2014, quando os desempregados no Brasil totalizavam 6,4 milhões. De lá para cá, aumentou em 5,7 milhões o número de desocupados no País.
 
A taxa de desocupação do trimestre móvel de setembro a novembro de 2016 atingiu 11,9%, a mais elevada desde o início da série da PNAD, mesmo sendo estável em relação ao índice do trimestre móvel de junho a agosto de 2016 (11,8%). Além disso, ao contrario do ocorre anualmente, quando no segundo semestre há um decréscimo da taxa de desemprego, em 2016 o índice permaneceu estável nesse período. Se comparada ao mesmo trimestre de 2015 (9,0%), a alta foi de 2,9 pontos percentuais.
 
A desocupação se ampliou para os assalariados com carteira, sem carteira e por conta própria, mas esse era um cenário anunciado. O agravamento dessa situação ocorre com a acentuada queda do PIB – Produto Interno Bruto. Depois de uma estagnação em 2014 (0,1%), o PIB recuou 3,8% em 2015 e no acumulado dos quatro trimestres terminados no terceiro trimestre de 2016, teve retração de 4,4% em relação aos quatro trimestres imediatamente anteriores.
 
Para os assalariados com carteira, segundo dados levantados pelo MTE - Ministério do Trabalho e Emprego, em novembro de 2016, houve recuo de -116.747 postos de trabalho no Brasil. De janeiro/2016 a novembro/2016, o decréscimo de vagas foi de -858.333 e de -1.472.619 no período acumulado de 12 meses (dezembro/2015 a novembro/2016). Tanto no período mensal, no ano e em 12 meses, foram o segundo pior resultado observado em 12 anos no país. As retrações de vagas, em novembro e em 12 meses se estenderam a todos os principais setores, mas se concentraram na Indústria da Transformação e na Construção Civil, setores vitais para os investimentos e o mercado interno, o que é característico da recessão, e ainda o setor de Serviços.
 
A recessão trouxe consigo o efeito mais perverso para os trabalhadores: o desemprego acentuado, a redução dos salários e a precarização nas relações de trabalho e a perda do poder de barganha de suas entidades representativas. Esse cenário é nefasto para o mercado interno ao promover a contração da demanda e desidratar a economia nacional, o que torna mais distante a recuperação econômica. Há que se tomar medidas efetivas para sair dessa letargia. Urge outro projeto para retomada do crescimento e desenvolvimento econômico do País.
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