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Educação para as relações etnicorraciais: Um direito do Brasil

Escrito po: Iêda Leal

26/01/2017

Vice-presidenta da CUT Goiás e do Sintego e secretária de Combate ao Racismo da CNTE

“A verdadeira medida de um homem não se vê na forma como se comporta em momentos de conforto e conveniência, mas em como se mantém em tempos de controvérsia e desafio. ”
Martin Luther King
 
Por que a Educação para as relações etnicorraciais é um tema fundamental que deve ser debatido em todos os espaços da nossa sociedade, especialmente nos espaços escolares do nível básico à pós-graduação? “Porque não se nasce racista, torna-se”.
 
E o racismo é um embrião do Capitalismo, que é o cerne da divisão de classes, onde há exploração do trabalho da população negra; o extermínio da juventude negra passa por assassinatos ou encarceramentos em massa, massacres por exploração de terras.
 
Tudo isso para manter o “status quo” de uma elite branca. Combater o racismo é lutar contra a exploração de pessoas e em prol da distribuição dos frutos da produção humana. Isso é socialismo. Então cabe a nós, classe trabalhadora, levantar essa bandeira de luta.
 
Mas o que fazer para implementar esse debate de maneira efetiva? Para alcançar a sociedade e conseguir de forma objetiva mais pessoas com capacidade política e pedagógica para colaborar na luta antirracista precisamos de um trabalho sistemático, que vai além de ações afirmativas. Urge compreendermos que o racismo não é uma luta pequena, mas de grande escala.
 
No âmago do racismo permanecem a exploração da mão de obra da classe trabalhadora, o conservadorismo em oposição ao respeito às diferenças, a imposição de uma religião dita universal em contraposição às mais variadas religiões ou posições filosóficas que divergem de crenças religiosas, a exploração por meio de um padrão de vida a ser seguido (negro é mão de obra barata, não podendo ocupar espaços de decisões políticas) e a agressividade ao meio ambiente.
 
Diante desse quadro, precisamos construir a união da classe trabalhadora por meio das forças conjuntas dos movimentos sindicais, movimentos sociais, estudantis, movimentos dos sem-terra e sem-teto, moradores de rua e representantes políticos que verdadeiramente defendam e coloquem em prática uma plataforma socialista. Sem isso, não avançaremos.
 
Uma situação que tenta dar maior visibilidade aos negros no Brasil é o projeto de cotas na educação e no serviço público. Mesmo se tratando de um projeto momentâneo, merece toda a nossa atenção, bem como todos os cuidados necessários por parte do governo para garantir a entrada e a permanência dos negros no ensino superior e para que também os editais dos próximos concursos respeitem a legislação das cotas, de modo a garantir o direito ao ingresso nos serviços públicos.
 
As ações afirmativas não configuram privilégios, mas sim atos necessários, que devem ser realizados por nossos governantes, a fim de atenuar a grande desigualdade e toda a destruição que é causada nas vidas dos negros  no Brasil. Essa é uma dívida que precisa ser paga imediatamente!
 
Precisamos que o artigo 5º de nossa Constituição seja amplamente divulgado, pois é fundamental importância o teor de seu inciso XLII, o qual determina que a prática do racismo constitui crime inafiançável e imprescritível, sujeito a pena de reclusão, nos termos da lei. Denunciar é o mínimo que devemos fazer.
 
A destruição da prática racista se dará quando houver de fato o entendimento e o conhecimento de como se opera o racismo e a compreensão de seus malefícios. E sendo assim, precisaremos preparar as crianças, instrumentalizar os jovens e reeducar os adultos para outra prática, onde possam todos enxergar no próximo uma possibilidade de viver a diversidade com respeito, para que possamos construir uma sociedade igualitária.
 
Lembremos que existem outros temas que são importantes  como o extermínio da nossa juventude, a violência contra as mulheres, a forma absurda como é tratada a comunidade indígena, do mesmo modo que a falta de representatividade dos homossexuais nos espaços e a crescente configuração homofóbica que nossa sociedade tem apresentado;   o descaso  com o meio ambiente, que ocasiona um imenso dano a nossas vidas; a falta de projetos para amparar nossos idosos, que nos leva à triste conclusão de que não podemos projetar nossas vidas para além do momento atual.
 
Diante desse quadro, nosso desafio consiste em ter o domínio de como se dá o racismo em nossa sociedade, sua forma perversa de agir, e dar cabo a ele de forma definitiva, usando do nosso poder de conhecer para destruir.
 
Faz-se, portanto, necessário o estudo e a prática diária das variadas formas de defesa que possuímos, para sobreviver e construir um mundo bem melhor, uma vez que todas as formas de preconceito só serão destruídas quando forem enfrentadas de maneira sistemática, por intermédio de ações diárias de empoderamento político e pertencimento racial da sociedade brasileira.
 
Conhecer e divulgar a história de luta do povo Negro no Brasil constitui um caminho para o enriquecimento de nosso currículo e nos capacita para falarmos sobre nós, de nós e para nós.
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