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25 de julho: Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha

Escrito po: Iêda Leal

27/07/2017

Secretária de Combate ao Racismo da CNTE; militante do MNU; vice-presidenta da CUT Goiás, tesoureira do Sintego e conselheira do CEE-GO

Não basta apenas refletir.É necessário lutar, reafirmar e celebrar a resistência das mulheres negras em todo o mundo, sobretudo no Brasil, um País onde as mulheres são maiorias e 54% da população é negra, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 
 
O dia 25 de julho é lembrado em todo o mundo como Dia da Mulher Afro-Latino-Americana e Caribenha. É também Dia de Tereza de Benguela – data instituída através da Lei nº 12.987/2014, como forma de reforçar a busca por igualdade de direitos e marcar a resistência da mulher negra para ter visibilidade na luta contra opressão de gênero, raça e etnia a que são submetidas dia após dia. 
 
A data é também uma homenagem à história de Tereza de Benguela, liderança que esteve à frente do Quilombo Quariterê, no estado de Mato Grosso, um exemplo da luta pela igualdade de direitos e pelo fim da escravidão a que as autoridades submetiam os negros no século XVIII. O esforço e a dedicação de Tereza para fortalecer o quilombo, tanto em armamento, quanto em força econômica é lembrado até hoje nesta data em que se comemora a representatividade das mulheres negras em todo o Brasil – 25 de julho. 
 
O fortalecimento da luta da mulher negra deve acontecer diariamente, nos locais de trabalho, nas escolas, universidades e no convívio familiar. A partir do momento em que evidenciamos as conquistas e lutas, garantimos que o racismo, sexismo, discriminação, preconceito e variadas formas de opressão sejam reduzidas, pondo fim nas desigualdades. No Brasil, por mais que se conquiste direitos é necessário evidenciá-los, para que a partir daí, possamos legitimar a luta. 
 
A discriminação racial e de gênero a que mulheres negras são submetidas até hoje é retratada no mapa da violência do governo federal. De acordo com os dados, nos últimos dez anos a morte de mulheres negras no País cresceu 54,2%, já os homicídios de mulheres brancas caiu 9,8% uma discrepância tamanha que faz o Brasil gritar por justiça.
 
É necessário que se crie políticas públicas urgentes e que se paute no congresso nacional propostas para acabar com a violência e o racismo contra as mulheres negras em nosso País. O momento de lutar por direitos, promover respeito às diversas identidades de gênero, raça e por cobrar um Brasil igualitário, justo, onde mulheres negras não sejam maioria nos índices de mortalidade e minoria nos direitos adquiridos. O momento é este! Não deixaremos que passe mais um século de impunidades e opressões, para que mulheres como Tereza de Benguela, Dandara dos Palmares e Luiza Mahin, e tantas outras pelo mundo, tenham que morrer por defender que a negritude feminina seja respeitada. 
 
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